quarta-feira, 2 de novembro de 2011

"Cuba Libre" recupera repressão homossexual no regime castrista

 
Foto: Aline Arruda/Agência Foto
Evaldo Mocarzel e Phedra de Córdoba, de "Cuba Libre", em cinema de São Paulo
Outro filme de Mocarzel, "Margem do Lixo", que fala da vida dos catadores de materiais recicláveis de São Paulo, exibido na Mostra em 2009, finalmente entrará em cartaz no circuito comercial no dia 4 de novembro.
Para rodar "Cuba Libre", o diretor viajou até a ilha caribenha acompanhado de uma convidada muito especial: a atriz cubana Phedra de Córdoba (que faz parte do grupo teatral Satyros). A atriz, que nasceu homem, volta a Havana pela primeira vez, 53 anos depois de deixar o país.
Apesar da ideia deste documentário ser louvável, o filme se perde em diversas histórias e não foca num tema que seria essencial para deixar o longa ainda mais emocionante: a busca de Phedra por seus familiares em Cuba. Nos primeiros minutos de projeção, vemos um encontro da atriz com alguns parentes. Chegamos a pensar que o documentário tratará apenas da busca da atriz por suas raízes. Mas, em seguida, o diretor corta para um encontro de homossexuais na capital cubana.
Enquanto isso, a história de Phedra é completamente abandonada. O documentário passa a entrevistar diversos gays e lésbicas da capital cubana para saber deles como é a vida sobre a ditadura castrista. Um grupo de gays, por exemplo, conversando com os diretores, chega a afirmar que duvidava que o homossexuais foram forçados a trabalhar nas plantações de cana.
O erro é prontamente corrigido por um outro gay, mais velho, que teve parentes que sofreram esse tipo de tortura. Esse mesmo cubano se define como revolucionário. "Sempre me disseram que homem não poderia ficar com homem. Desobedecer é ser revolucionário", diz ele.
A impressão que fica deste documentário é que o diretor foi descobrindo o que queria filmar a partir das histórias colhidas durante a viagem. O longa parece ter sido concebido como uma forma de registrar a passagem dos Satyros por Cuba, depois Mocarzel percebeu que Phedra tinha mais história para contar e lá pelas tantas, se deu conta de que os homossexuais têm mais liberdade hoje em Cuba do que há 50 anos. Ao final da projeção, parece que o diretor finalmente lembrou de Phedra e ela retorna para a história.

Nenhum comentário:

Postar um comentário